OBS: Atendendo a alguns pedidos, rs, estou postando um conto sobre traição, espero que gostem, narrador personagem feminino.
O fato é que eu pensei que eu era forte, e que eu superaria toda essa dor pela qual você me fez passar, e que eu olharia para o futuro de uma forma mais branda após um tempo, mas não, eu definitivamente não superei, eu ainda tenho magoas e raiva dentro de mim, eu ainda fecho os olhos e vejo a imagem daquele vestido vermelho, eu ouço os risos baixos e sinto o frio que invadiu o meu corpo.
A noite era tão linda, lua crescente e eu estava tão feliz voltando de viajem voltando para você, tentando desesperadamente falar com você pelo celular, tentando lhe avisar que eu estava de volta, dirigindo a quase 100 por hora para te encontrar, te abraçar, te olhar, enquanto meu desejo gritava por você eu só conseguia imaginar seus lábios, seu corpo, como eu sentia sua falta, aquelas malditas reuniões de trabalho me desconcentravam e tiravam meu pensamento de você, mas na verdade você não merecia nada.
Enfim cheguei em casa com um baita sorriso no rosto , preferi o silêncio, pensei comigo mesma que seria legal te fazer uma surpresa então tirei o sapato, e fui vagarosamente pelo corredor que levava ao meu quarto sabia que te encontraria lá entre os meus lençóis, eu queria te beijar e fazer amor com você naquele momento, eu desejava você mais do que a vida, e então eu ouvi risos, o seu riso, mas ele não estava só, uma voz suave e grave saltava junto a ele, e eu gelei naquele momento, eu não quis acreditar eu não podia passar por isso, pelo menos não agora, e eu fui em frente, a luz estava baixa, mas pude ver pela fresta da porta você e eu sorrir a saudade morria dentro de mim, e então eu avistei roupas espalhadas pelo chão, e eu senti o seu perfume e então meus olhos viram um vestido, um vestido que não era meu, um vestido vermelho, e ai eu percebi a presença dela, vocês como um, vocês como amantes...
Por minha cabeça passou idéias loucas, eu pensei em gritos, em facas, em sangue, no seu sangue, eu não pude acreditar que você estava me traindo no meu próprio quarto, na minha própria cama, e algumas horas antes você havia me ligado e dito que me amava que seria difícil passar mais essa noite sem me ter ao seu lado, como você conseguia ser tão falso?
Eu pensei melhor, e lembrei de nosso filho que dormia no quarto ao lado, eu não podia faze-lo sofrer mais do que ele sofreria por causa de você, e então eu sai dali, eu corri para o elevador, e entrei no carro e sai desesperadamente como se não houvesse nada, mais nada no mundo, as lagrimas escorriam no meu rosto e eu tentava sorrir e respirar fundo, tentando arracar aquele vestido da minha mente, tentando tirar aquele cheiro do meu nariz e aquele sorriso do ouvido, mas vocês invadiram a minha mente, e não havia mais o que fazer, eu acabei por lembrar de como você me prometeu o mundo no inicio do nosso relacionamento, de como você era romântico, carinhoso, o que fez tudo mudar?
Mas eu não serei uma daquelas mulheres que se culpam quando é traída, eu não lhe fiz nada, eu sempre tentei te fazer feliz, isso não era culpa minha, o errado aqui era você, e eu lembrei do nosso dia a dia... Como quando você acordava de madrugada e me cobria e levemente me beijava, de como você sorria ao acordar pela manhã e me vê te olhando, de como você ficava engraçado com aquele óculos escuros a noite, e como você me abraçava e dizia que me amava.
Eu lembrei de como você cuidava de nosso filho, de como você era divertido, feliz, amoroso com ele, como da vez em que você o ensinou a montar bicicleta, ou a mexer nos controles daquele maldito carrinho que vivia a me fazer tropeçar em casa, mais agora nada disso me fazia esquecer o que havia acabado de ver, eu não conseguia medir o quanto aquela traição me machucou, me feriu.
Então partir para longe de casa, eu precisava sumir, pensei em morrer, talvez fosse mais fácil esquecer assim, do nada me vi parada em frente a porta da Paula, eu entrei, eu sentei eu desabei e falei, falei até não ter mais uma palavra que pudesse expressar a minha raiva, o meu ódio, e a Paula tentava inutilmente te defender, tentando não deixar nosso casamento acabar, mais ele acabou, ele acabou no momento em que ouvi aquele riso, aquele que você jurava que só existia comigo.
Eu dormir em um sofá e no outro dia mal podia sentir o meu corpo, eu só sentia uma dor infernal na cabeça, um ódio que me destruía por dentro, eu precisava encontrar você e finalizar tudo isso, eu corri para casa, e no meio do caminho tentei esboçar um sorriso, eu tentei sorrir por mais que meu coração estivesse destruído, e então eu consegui, eu fingi está bem, eu consegui me manter de pé, como uma fortaleza depois do furacão, respirei fundo e entrei em casa, você estava em pé, de braços abertos e com o sorriso mais lindo que já vi, em outro momento eu desesperadamente buscaria seus braços para me aconchegar, mais vi o Gabriel o nosso filho, e o abracei com ar de despedida, mais na realidade estava tentando mostrar para ele que a partir de agora esse era o melhor abraço que poderia dar para ele, pois estaríamos longe de você muito em breve, e você me perguntou se eu estava bem, e eu é claro te respondi que sim, que estava ótima, e você continuou sem entender o que estava acontecendo, eu disse que precisava dormir e tudo estaria bem, me tranquei no quarto por horas e você impaciente caminhava de uma lado para o outro na sala, vinha até a porta e perguntava se havia feito algo errado, mas querido agora já era tarde, eu vi no canto do quarto uma calcinha, e ela não era minha, eu abri a porta e você entrou e eu a fechei novamente agora era a nossa vez.
Foram as 2 horas mais difíceis da minha vida, mais eu me amava mais do que a você e eu não conseguiria viver bem comigo mesma se eu não te mandasse embora, se eu não me livrasse de toda e qualquer lembrança sua, e daquela maldita noite, você passa por mim e diz que não entende o que houve conosco, não entende o porque terminamos, e eu sempre te digo por causa de um vestido vermelho, de um vestido vermelho que você me dizia ser vulgar, me dizia ser desonroso, e você continua sem entender, e tenta de todas as formas voltar, mas não tem mais como, eu tive que me livrar da minha cama, dos meus lençóis, eu tive que aprender a viver sem você, por que eu não sei viver como mentiras, com falsidade, talvez, apenas talvez, se você tivesse me relatado a verdade eu tivesse te dado uma nova chance, mas quando lhe questionei sobre a calcinha, você jurou que ela era minha, então chegamos ao fim, eu não suporto mentiras, e não sei viver com traições, eu sou assim...
Mas eu não superei a dor, eu não superei a raiva, mas o tempo vai sarar essa ferida que você tão sinicamente abriu, o tempo vai me reerguer e eu poderei olha para frente...Eu poderei viver bem novamente.